Como os indiozinhos se alimentam

Postado por Equipe Pequeno Gourmet

Eles mamam até tarde e vivem na natureza com os pezinhos descalços. Se alimentam de frutas silvestres, comem peixes pescados no rio, carnes de caça e brincam à vontade. Assim são os indiozinhos brasileiros, principalmente os da etnia Panará, que ficam no norte do Brasil. Para entender mais sobre a alimentação dessa turminha, o Pequeno Gourmet conversou com a professora da Universidade de Brasília, mestre pela (unB) e doutora pela UNICAMP em fonologia e gramática da língua indígena, Luciana Gonçalves Dourado, que contou mais sobre as preferências dos pequenos índios.

Amamentação com livre demanda garantida

Nas tribos indígenas é costume a mamãe amamentar seu filhote desde o nascimento até os 3 anos de idade ou mais. E ela faz isso de uma maneira muito prática: carrega seu bebê por toda parte dentro de uma faixa amarrada junto ao corpo, tipo um sling, de maneira que o nenê fica o tempo todo próximo ao peito que está sempre descoberto, ou seja, quando o bebê tem vontade de mamar, o leitinho está ali, à disposição do indiozinho. Enquanto isso, a mãe realiza os afazeres domésticos, vai à roça, ao rio, limpa o peixe, assa a batata-doce, limpa a oca… A pesquisadora Luciana conta que chegou a ver crianças maiores de uns 4, 5 anos mamando também em pé, abraçadas à cintura da mãe, para aproveitar o restinho do leite, quando o mais novinho já havia se saciado. Um exemplo de nutrição e afeto!

Uma floresta de papá saudável

“As crianças – e os índios, em geral –  têm grande apetite, a menos que estejam doentes”, conta Luciana. Quando crescem, os indiozinhos comem os mesmos alimentos que o papai e a mamãe:  

Frutas silvestres: jatobá, mangaba, buriti, banana, mamão e todas as frutas gostosas que a floresta e o cerrado oferecem. Os pequenos costumam comer as frutas com casca, com exceção de algumas como a banana, que são descascadas pelos pais. As crianças aprendem desde muito cedo a manipular seus alimentos com as mãos e com os dentes para comer e para descartar o que não é comestível. Por isso aquelas frutas que lhes são dadas com casca, elas mesmas jogam as partes que não são comestíveis ou as de que elas não gostam.

A raiz queridinha: a mandioca, além de ser conhecida por sua versatilidade, é a preferida dos índios. Com ela se faz a farinha e o polvilho para comer com o peixe ensopado. Também vem da mandioca a farinha que eles fazem o mingau, sem leite.

Os tubérculos preferidos: batata doce e cará assados no forno de pedras.

Proteína animal: os pequeninos desde cedo já comem as carnes que seus pais caçam e que assadas nos fornos de pedra e, geralmente, servem para rechear os beijus. Os peixes pescados nos rios também são servidos tanto assados como ensopados. Mas quando as crianças indígenas são pequenas, os papais costumam tirar as espinhas do peixe, mas não os espinhaços, porque acreditam que assim desde cedo os filhotes vão aprendendo a ter autonomia.

Mais iguarias: mel de abelha, pequi, milho e amendoim também fazem parte do cardápio diário dos pequenos. Mas ficam de fora os doces. Eles não comem nenhum tipo de doce, só o do mel das abelhinhas.

Esquisitices que eles adoram: caracóis cozidos e tanajuras (formigas) torradas.

E aí, gostou de saber do que os indiozinhos se alimentam? O Pequeno Gourmet lembra ainda que essa é a cultura da etnia Panará. Outros povos indígenas, dependendo da localização e da oferta de frutas e legumes da floresta, podem variar o cardápio. E sabe o que é o melhor? Tudo é fruto de plantações locais com ingredientes fresquinhos, colhidos, pescados ou caçados na hora, e que só fazem bem para os papais e os filhotes!

*O Pequeno Gourmet recomenda a consulta de um profissional especializado em caso de dúvida quanto a qualquer informação disponível no Portal

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