Livre demanda: o bebê diz quando quer mamar

Na hora em que você chega da maternidade, com o nenê no colo e sem saber muito o que fazer, amamentar sob livre demanda pode ser a solução. Deixar que ele decida quando quer mamar vai aproximar ainda mais vocês. E também fazer com que ele se sinta mais protegido e ganhe peso. Se a sua rotina permitir ficar disponível para a criança, ótimo! Esse vínculo que vocês vão criar será eterno. A Camila, mamãe do Pequeno Gourmet, amamentou até os 6 meses por decisão do seu filhote. E esse período coincidiu com a introdução alimentar. Ela até queria ter ido além, amamentado mais. Mas ele quis parar e ela acatou. Para saber como tirar proveito e esclarecer algumas dúvidas sobre a livre demanda, conversamos com o médico pediatra do hospital infantil Pequeno Príncipe, Dr. Luiz Renato Valério.

Pequeno Gourmet: Para quem a livre demanda é recomendada?

Dr. Luiz Renato: A maioria dos bebês necessita de livre demanda porque ainda não tem prática na mamada, a capacidade do estômago é pequena ou pode ter alguma dificuldade na sucção. Também é importante levar em conta que a criança está aprendendo a mamar muitas vezes com a mãe, que não tem prática em amamentar. Assim, a descoberta do ritmo e das necessidades é dos dois lados.

Pequeno Gourmet: Até quando o bebê pode mamar por livre demanda?

Dr. Luiz Renato: Não existe um prazo fixo. O que observamos, na maioria dos casos, é que passados os 30 primeiros dias, o bebê já vai adquirindo um certo ritmo de mamadas e a mãe também tem mais confiança para saber se a quantidade oferecida é suficiente. Aos poucos, o pequeno cria uma rotina de horários própria.

Pequeno Gourmet: A mãe que volta a trabalhar consegue amamentar em livre demanda?

Dr. Luiz Renato: Isso acaba sendo impossível. Na livre demanda a mãe fica à disposição do filho durante todo o dia, para que ele possa mamar quanto e quando quiser. Como a mãe que volta ao trabalho cria uma rotina de horários, fica difícil isso acontecer.

Pequeno Gourmet: É preciso também ter horários fixos para amamentar o bebê?

Dr. Luiz Renato: Observo que muitas mães têm uma verdadeira “neurose” no sentido de sempre limitar horários para a amamentação. E, para mim, essa é uma regra que dificilmente vai conseguir ser seguida. Na verdade, um bebê não é acostumado a ter horários fixos e não merece essa imposição. O momento de amamentar se estabelece de uma maneira espontânea, natural, e deve haver tolerância com isso.

Pequeno Gourmet: O que fazer quando o bebê não sente vontade de mamar?

Dr. Luiz Renato: Esse é um fato anormal que merece sempre atenção. Se um bebê não sente vontade de mamar, ele deve ser avaliado cuidadosamente pelo pediatra. Nos casos de falta de leite materno, a reação do pequeno será de choro por não ter a fome saciada.

Pequeno Gourmet: Quantas horas o bebê pode ficar sem mamar?

Dr. Luiz Renato: Não é aconselhável que se façam períodos longos entre as mamadas, mas deve-se sempre respeitar o ritmo dos filhos. Durante o dia, o bebê não deve ter um intervalo maior do que três horas e meia a quatro horas entre uma mamada e outra. Esse é o tempo que leva para que aconteça o esvaziamento do estômago e a criança sinta a necessidade de um novo alimento. Se o bebê passa intervalos grandes sem mamar, o desenvolvimento dele pode ser comprometido. Já à noite, ele pode suportar um sono de 5 ou 6 horas sem mamar. Para a mãe, esse período de repouso é bem-vindo. Afinal, uma mamãe bem descansada é mais paciente e tolerante com o seu bebezinho.

Pequeno Gourmet: Quais são os sinais de que o bebê está mamando pouco?

Dr. Luiz Renato: A criança pode ficar desconfortável, não conseguir dormir direito, perder peso, evacuar e urinar menos. Observe quantas vezes você troca a fralda do seu filho ao longo do dia. O bebê que mama bem na mamãe tem um bom volume de xixi e de cocô.

Pequeno Gourmet: O bebê que mama por livre demanda aprende melhor a ter controle da saciedade?

Dr. Luiz Renato: Isso não é algo que se aprende ou se ensina. Mas, é claro que a noção se estabelece. Se o bebê tiver carinho e viver esse momento com a mãe, a hora de mamar se torna algo prazeroso e ele certamente vai ter uma melhor noção do que é estar saciado ao longo do tempo.

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Sobre o entrevistado
Nome: Dr. Luiz Renato Valério
Profissão: Médico pediatra
Contato:

comunicacao@hpp.org.br e (41) 3310-1437


Sobre:

Pediatra de emergência do maior hospital pediátrico do Brasil, o Hospital Pequeno Príncipe.

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