O açúcar que você não vê!

Aqui no Pequeno Gourmet, a gente sempre fala sobre como é importante restringir o consumo de açúcar entre as crianças. Mas, você sabia que há produtos nas prateleiras dos supermercados que nem imaginamos, mas são cheios de açúcares? Para mostrar esse docinho que muita gente não vê, conversamos com a nutricionista especializada em família, Dra. Danielle Fava. Confira:

Pequeno Gourmet: Por que grande parte da indústria usa o açúcar e seus derivados?

Dra. Danielle Fava: Os açúcares possuem diversas propriedades nos alimentos, tais como conferir doçura, coloração, textura, redução de acidez, sabor e durabilidade. Por isso, são amplamente utilizados pela indústria de alimentos tanto na sua forma natural quanto em formas produzidas artificialmente.

PG: Quais são os principais produtos industrializados que têm açúcar em sua composição?

Dra. Danielle Fava: Dentre os produtos industrializados, grande parte contém algum tipo de açúcar. E isso não está limitado apenas aos alimentos elaborados à base de açúcar como doces, pães (inclusive pães salgados e versões integrais), geleias, sorvetes, biscoitos, bolos, refrigerantes, barra de cereal, achocolatados, iogurtes, granolas, gelatinas e sucos. O açúcar também está presente em outros tipos de produtos como molhos para tomate, pratos congelados, sopas prontas, hambúrgueres, nuggets, enlatados, requeijão, margarina, salgadinhos, ketchup, algumas maioneses, alguns vinagres balsâmicos, temperos prontos, molhos para salada prontos e molhos orientais.

PG: Existe uma melhor forma de identificar a presença de açúcar nos produtos industrializados?

Dra. Danielle Fava: A leitura do rótulo é a forma mais eficaz para saber se há algum tipo de açúcar presente na composição do alimento. Pois, mesmo que na embalagem esteja escrito: “NÃO CONTÉM AÇÚCAR”, não significa necessariamente que o alimento é sem açúcar na prática; geralmente essa referência é ao açúcar comum ou a sacarose.

Tipos de açúcar

Glicose: é o açúcar básico, a mais simples fonte de energia utilizada pelo nosso organismo, principalmente pelo nosso cérebro. Todo carboidrato que consumimos, depois de passar pelo processo de digestão, é quebrado em pequenas estruturas, e a menor delas é a glicose. A glicose segue para as células e é carregada pela insulina até o pâncreas. Nas embalagens, a glicose pode aparecer como açúcar de amido, xarope de glicose/glucose, açúcar líquido, xarope de milho, glucose/glicose de milho ou dextrose.

Açúcar ou sacarose: formado por uma molécula de glicose e outra de frutose, é o famoso açúcar de mesa, açúcar comum, açúcar branco ou açúcar refinado, que muitas pessoas usam para adoçar receitas ou sucos.  As principais versões dele são: açúcar refinado, açúcar cristal, açúcar de confeiteiro, açúcar impalpável ou açúcar orgânico, fondant (solução saturada de açúcar com cristais bem pequenos e dispersos que dão textura aveludada).

Açúcar mascavo: também é formado por uma molécula de glicose e uma de frutose, porém está na sua forma mais bruta, ou seja, não passou pelo refinamento como no caso do açúcar comum e preserva mais vitaminas e minerais em sua composição.

Açúcar demerara: assim como o mascavo, tem a mesma composição do açúcar comum, passa por um leve refinamento, mas ainda assim tem preservação de nutrientes.

Açúcar light: é a mistura de açúcar comum com algum tipo de adoçante, geralmente, a sucralose.

Açúcar de coco: extraído do coco, possui as mesmas calorias do açúcar comum, mas, com menor índice glicêmico, ou seja, faz com que a glicemia se eleve menos ao consumi-lo.

Açúcar vanille ou de baunilha:  é o açúcar comum só que aromatizado com baunilha.

Frutose: açúcar extraído das frutas, tem um poder de doçura bem superior ao açúcar comum, mas assim como este não possui vitaminas e seu consumo em excesso também pode trazer prejuízos para a saúde. É muito utilizado na indústria por ser um produto barato. Quando consumido nas frutas não traz tanto prejuízo, pois as frutas contêm fibras em sua composição. Mas vale lembrar que seu consumo abusivo em suco de frutas, por exemplo, que já não contém tantas fibras e podem sim aumentar o risco de doenças.

Açúcar invertido ou xarope invertido (glicose+frutose+sacarose): é um tipo de açúcar produzido industrialmente, por inversão da molécula da sacarose.

Maltodextrina: é um polímero de glicose, ou seja, é a junção de diversas moléculas de glicose e tem alto índice glicêmico. Isso quer dizer que, quando consumido, faz com que o valor da glicemia suba muito. É amplamente usado na indústria por conferir maciez e textura. Fora da indústria é utilizado como suplemento alimentar para atletas de alto rendimento.

Maltose: Açúcar formado a partir de cereais, composto por duas moléculas de glicose, presente em cervejas e algumas bebidas alcoólicas, mas também em alguns doces cuja descrição é maltado.

Mel: produzido pelas abelhas, tem uma produção natural além de vitaminas e minerais, sendo uma opção mais saudável. Formado por moléculas de glicose, frutose e sacarose.

Melaço ou melado: um produto derivado da cana, que tem maior preservação de nutrientes.

Lactose: açúcar naturalmente presente no leite e derivados, assim como em produtos produzidos a partir deles. Formado por uma molécula de galactose e uma molécula de glicose.

Agave: Açúcar extraído de um cacto de origem mexicana possui em sua composição mais frutose do que glicose e, assim como mel e o melado, mais nutrientes.

Vale lembrar que alguns produtos industrializados utilizam mais de um tipo desses açúcares que citamos para atingir o sabor e a textura desejada.

Sobre o entrevistado
Nome: Dra. Danielle Fava
Profissão: Nutricionista
Contato:

dradaniellefava@gmail.com


Sobre:

Nutricionista especializada em saúde da família com experiência clínica em gestantes, mães e crianças.

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