Abra menos, descasque mais

Postado por Equipe Pequeno Gourmet

Você faz questão de preparar todos os pratinhos da sua casa ou, vez ou outra, recorre aos congelados e lanchinhos prontos? Com a correria do dia a dia é fácil se render à praticidade, mas estudos recentes mostram que estamos, pouco a pouco, aumentando a dose de enlatados e ensacados.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo descobriu que 21% de todas as calorias ingeridas pelos brasileiros já vem de alimentos industrializados. É como se a cada 5 colheres de papá, uma fosse cheinha de açúcar, gordura e corantes, componentes básicos dos alimentos ultraprocessados.

Mas o que são ultraprocessados?

Basicamente, tudo aquilo que até parece comida, mas não estraga nunca e tem um monte de nomes difíceis no rótulo que só de ler a gente já percebe que não pode ser lá muito natural.

O Guia Alimentar para a População Brasileira divide os alimentos em quatro grupos:

  • Não processados ou minimante processados: comida de verdade, fresquinha e saudável. Os alimentos como eles realmente são, sem tirar nem por. São esses que devem ser priorizados para uma alimentação saudável.
  • Ingredientes culinários: sal, açúcar, óleos, gorduras, itens extraídos de comida ou da natureza que servem para preparar os alimentos do grupo um.
  • Processados: o resultado dos alimentos do grupo 1 preparados com os ingredientes do grupo 2: pães frescos, queijos, iogurte natural, conservas, frutas em calda, etc. Podem ser consumidos moderadamente em uma dieta equilibrada.
  • Ultraprocessados: Formulações ou substâncias derivadas de alimentos que recebem aditivos industriais, com pouquíssimos nutrientes de verdade e um monte de malefícios para a saúde.

Mas que mal tem?

Tem açúcar, tem gordura, corante tem também.

Tem química que faz mal pra gente.

Não tem fibra, não tem nutriente.

A rima é pra lembrar que esses alimentos industrializados são feitos de calorias vazias que contribuem para dietas desbalanceadas, aumentando o risco de doenças crônicas, como hipertensão, obesidade e diabetes. Além disso, quando se trata das crianças, que ainda estão formando seu paladar, o consumo dessas substâncias pode comprometer, e muito, a descoberta de sabores e texturas novas. Afastando a chance de gostar da comida fresquinha e ao natural.

Mas é só uma bolachinha

Aí é que mora o perigo e ele atende pelo nome técnico de densidade energética. Trate-se da quantidade de calorias que um alimento tem em cada porção. Essa relação é um dos fatores que podem levar à obesidade.  Por exemplo, um pratão de salada com legumes cozidos tem muito menos calorias no total que meia dúzia de bolachas recheadas. Então acabamos comendo um volume muito maior de biscoitinhos açucarados do que de cenoura com abobrinha, pois o nosso cérebro não tem tempo para entender que já está recebendo calorias suficientes e desencadear o processo de saciedade. Quem nunca acabou com um pacote de bolachas em minutos, quase sem perceber?

Mas é tão gostoso

Sabe aquela história de que é impossível comer um só? Isso também tem nome: chama hiperpalatabilidade e é um truque da indústria de alimentos para aumentar o consumo de seus produtos. Os sabores são exagerados pela adição de aromatizantes, agentes de sabor e outras substâncias artificiais, que viciam o paladar. É por isso que vemos tantas pessoinhas torcendo o nariz, por exemplo, pra água ou até pra sucos naturais: quando o organismo se acostuma a receber muitas bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos em pó, dificilmente o paladar reconhece  o sabor da fruta de verdade ou entende que água é a melhor forma de matar a sede. Além disso, esse “super sabor” criado em laboratório engana nosso cérebro que passa a querer mais e mais, aí comemos até acabar aquele pacote de alegria e caloria sem nada de saúde.

Percebe como tudo está associado?

Mas, então, o que eu faço?

Na dúvida, desconfie, inclusive, daqueles itens que parecem inofensivos como pães de forma, bisnaguinhas, barrinhas de cereais, legumes enlatados: tudo isso carrega os ingredientes e malefícios da comida de mentira.

Leias os rótulos, sempre, e, se tiver ingredientes que não sabe decifrar, considere deixar de lado. Mas a medida de ouro para evitar a armadilha dos ultraprocessados é colocar todo amor nas panelas e preparar delícias para encher os olhos e os pratinhos.

E nem precisa ser um mestre cuca para abastecer a turminha de comida de verdade: aqui no Pequeno Gourmet tem receitas fáceis e deliciosas para o dia a dia saudável e bem prático in natura.

E aí na sua casa, você já pensou no que tem usado mais: o descascador de legumes ou o abridor de latas?

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