O cassoulet do Jerimum

Postado por Mamãe

Eis que um dia desses, deu o ar de sua graça em terras campineiras o nosso amigo Jerimum.

Jerimum é um cabra arretado, pernambucano, lutador de MMA, expert em mercado financeiro que com sua didática porreta nos introduziu às operações de mercado futuro. Rendinha extra em caixa, vi na visita do amigo a oportunidade de lhe agradecer.

É obvio que o obrigado viria cozido e não esqueceria de incluir jerimum em sua composição. Pra quem não sabe, jerimum é sinônimo de abóbora.

O tempo era curto. O Marcos iria buscá-lo no aeroporto, e teríamos uma horinha para almoçar e botar o papo em dia, já que os dois em seguida iriam pra São Paulo a trabalho. Corri no hortifruti para comprar o que estava faltando para o menu escolhido, cassoulet com jerimum, arroz colorido e banana grelhada.

Aqui em casa temos o hábito de sempre acrescentar legume ou verdura ao arroz e ao feijão para aumentar o valor nutritivo dos pratos. Para o arroz escolhi cenoura e cebola roxa e para o feijão branco um mix para compor a minha versão de cassoulet.

A minha sogra recomenda ficarmos atentos aos sinais que a vida nos apresenta, mas infelizmente eu não domino esta arte. Chegando no hortifruti, não havia jerimum. Sem querer abrir mão do cardápio, optei por substituí-la por abóbora cabotia. Problema resolvido. Cheguei em casa e comecei a preparar nosso almocinho. Meu celular toca, é o Marcos ligando para dizer que eu teria que ir buscar o filhote na escola. Rezando para a panela de pressão não explodir, abaixei o fogo e saí correndo para buscá-lo.

Chegamos todos juntos e depois dos cumprimentos corri para a cozinha para terminar o almoço. Muito conversador, Jerimum não parava de falar, com dificuldade encontrei uma brecha para, toda orgulhosa, descrever o meu presente ao amigo querido. E com sinceridade aflorada pela fome ele disse: “Não como feijão.”

“Vou grelhar uma bananinha pra acompanhar”. disse eu já com voz desanimada.

“Não como banana”

Como em um flashback, me vi 30 anos atrás, recusando toda e qualquer oferta de papá quando íamos visitar a família e os amigos. Coitadinha da minha mãe!!! Mas vale lembrar, que esta coitadinha acabava por fazer as minhas vontades e caprichos.

Mas, aqui em casa, come-se o que tem. Regra que vale, também, para os amigos, mesmo os mais queridos. Se não quiser não tem problema, espera a próxima refeição. Concordo com o pediatra do Santiago que diz que o melhor tempero é a fome.

E para alguém que não come feijão, Jerimum repetiu quatro vezes. Enfim um elogio.

A sobremesa como de costume foi preparada pelo Marcos. Morangos.

“Não como morango.”

*O Pequeno Gourmet recomenda a consulta de um profissional especializado em caso de dúvida quanto a qualquer informação disponível no Portal

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