Pra que lado que eu vou? Iogurte, pode ou não pode?

Postado por Mamãe

Com o alvoroço gerado pela receita da papinha de pera com iogurte, eu vi a necessidade de me aprofundar mais na questão de se pode ou não introduzir iogurte para bebês antes de uma ano de idade. Eu precisava me certificar se alguma coisa tinha mudado desde a introdução alimentar do Santiago. Não só não mudou, como continua a mesma confusão. Há quem diga que não é adequado por razões que eu, particularmente, discordo. E há quem defenda que é importante sim, oferecer esta novidade aos bebês.

Para as mamães, que assim como eu não são formadas na área de nutrição ou médica, só nos resta duas alternativas, confiar na informação que nos foi passada pelo pediatra ou nutricionista e, sempre que houver uma pontinha de dúvida nos aprofundarmos mais no assunto. E para que esta segunda alternativa funcione é preciso fazer o dever de casa. Ou seja, anotarmos essas dúvidas, pesquisarmos, conversarmos com outras mamães e o mais importante, analisarmos as informações coletadas.

Já aviso de antemão que a pesquisa sobre a introdução do iogurte foi bem exaustiva, uma vez que havia uma porção de artigos e livros que tinham opiniões opostas. O que fazer então? Para que lado devemos seguir? O que é melhor para o meu filho? Com uma rotina já bem atribulada, essa enxurrada de pontinhos de interrogação é de enlouquecer qualquer um.

Assim como quase tudo na maternidade dá trabalho, o segredo é questionar. Algumas seguidoras, prontamente, o fizeram assim que o post foi para o ar. Fiquei super feliz em ver o meu próprio reflexo nestas mães que tem as mesmas aflições que eu tinha quando comecei essa aventura de explorar os sabores e estimular o paladar do meu filhote.

O pediatra que cuidava do Santiago nesta época me deu uma listinha com meia dúzia de alimentos que ele poderia comer. Eu sei que estou exagerando, mas era um basicão que serviu muito bem até o Marcos, meu marido, me presentear com o meu primeiro livro de papinhas para bebê, “A melhor comida para bebês do planeta”. Bom, aí a Camila se tornou o próprio pontinho de interrogação, pois por se tratar de um livro escrito por duas americanas, Karin Knight e Tina Ruggiero, o esquema era completamente diferente. A começar pelo suquinho. Aos bebês brasileiros é oferecido suco de laranja lima, e aos americanos de pêra, maça, uva, pêssego, ameixa, melão… As papinhas salgadas, não levam sal e tampouco se assemelham as sopinhas dos nossos bebês, em geral é oferecido um alimento de cada vez, cozido ou assado e muitas vezes amassado com leite materno ou fórmula.

Me lembro muito bem da folhinha frente e verso repleta de perguntas que preparei para a primeira consulta que fiz com a minha nutricionista, Claudia Novais. E dentre elas estava a questão do iogurte. Com a repercussão do post, dei uma ligadinha para ela caso precisasse de um backup e segui com a minha pesquisa.

Vou elencar algumas conclusões e vou disponibilizar alguns links para vocês darem uma olhadinha. Lembrando que debater é sempre positivo, independente de que lado você está.

* Iogurte não é leite de vaca, embora esta seja a sua matéria-prima. O iogurte é o produto resultante da cultura de bactérias, Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus adicionadas ao leite causando uma fermentação láctica. Neste processo a lactose é quebrada e a proteína do leite é parcialmente removida ou limitada, tornando não só o iogurte, mas os queijos também, mais fáceis de digerir. Há pessoas que mesmo intolerantes a lactose ou alérgicas a algumas proteínas do leite capazes de comer iogurtes e queijos.

* Muitos médicos não indicam o consumo de iogurtes e queijos por receio de que os pais vão substituir o leite materno ou a fórmula por estes alimentos, o que seria prejudicial para a saúde do bebê. Entretanto , acredito ser fundamental que os médicos especifiquem a diferença entre beber leite de vaca e comer iogurte ou queijo.

* É fato que o iogurte pode causar reação alérgica em bebês com alergia ao leite. Mas a estatística aponta para uma porcentagem de 2 a 3% de bebês que apresentam este quadro. Na minha opinião, privar todos os bebês de provar esta delícia sem um diagnóstico de alergia não se justifica. O ideal é introduzir alimentos novos com supervisão e atentar para o aparecimento de qualquer um destes sintomas: diarréia, vômito, irritabilidade, inchaço e reações cutâneas.

* Em relação a absorção de ferro que há quem afirme que fica prejudicada com a ingestão de alimentos ricos em cálcio, como há quem diga que é o contrário(Cálcio X Ferro por Pat Feldman). Uma verdadeira confusão!!! Levando em consideração que o cálcio realmente dificulte a absorção do ferro, não se deve oferecer iogurte para crianças após as refeições, certo? Sendo assim, acredito que a regra também vale para os adultos, não é mesmo?!! Portanto o ideal seria cancelar o sorvetinho e até o inofensivo, creme de papaia depois do almoço. E pudim de leite, pode? Ah, e não se esqueçam de juntos com alimentos ricos em ferro, para melhorar a absorção deste nutriente você deve combiná-lo com alimentos ricos em vitamina C. Anotaram!!

* Portanto ao final desta maratona, cheguei a mesma conclusão que havia chegado há dois anos atrás: excesso de regras, ás vezes pode atrapalhar ao invés de ajudar. A maioria das mães cansadas, depois de uma noite mal dormida não vão se atentar para a melhor combinação entre os nutrientes dos alimentos da papinha que elas vão preparar. Mas acredito que elas possam se lembrar de fazer escolhas mais saudáveis, alimentos frescos e variados. E mesmo que um bebê, uma ou duas vezes na semana coma iogurte depois do papá, não é possível afirmar que ele vá desenvolver uma anemia se ele tiver uma dieta saudável e variada.

* E por último, vale a pena ressaltar que quando digo iogurte não estou me referindo aos petit-suisse. O iogurte que eu utilizo no preparo de papinhas ou vitaminas é integral, sem açúcar ou corante. E que na dúvida, questionem mesmo. Para que haja uma promoção maior da saúde em prol da diminuição da obesidade infantil, é importante que haja mamães e papais pensantes.

Fontes utilizadas nesta pesquisa:

Whole Some Babyfood – site muito legal, em inglês, repleto de dicas e receitas

Artigo da revista Crescer sobre servir iogurte para bebês

Guia alimentar para crianças até 2 anos do Ministério da Saúde

*O Pequeno Gourmet recomenda a consulta de um profissional especializado em caso de dúvida quanto a qualquer informação disponível no Portal

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