A primeira receita: leite materno

Postado por Mamãe

Passei a semana toda ensaiando escrever este post. Estamos na Semana Mundial do Aleitamento Materno e não se fala em outra coisa nos veículos de comunicação e redes sociais.

Sem dúvida, este será um tema recorrente por aqui. Mas o fato de ser o primeiro post sobre amamentação, lhe deu uma importância ainda maior. Sem falar que, talvez, o Pequeno Gourmet nem existisse se eu não tivesse amamentado. Como assim?

O Santiago abandonou (olha só o drama) o peito aos seis meses, coincidindo com a introdução de novos alimentos. E do meu desejo de continuar nutrindo o meu filhote surgiu todo o meu empenho no preparo das suas papinhas. Com um pouquinho de vergonha, eu admito que foi sim uma competição mamãe x mamadeira.

Amamentar é muito mais complexo do que eu imaginava. Na verdade, eu não fazia a menor idéia. A primeira realização veio assim que o Santiago nasceu. Antes de irmos para o quarto, a enfermeira, ainda no centro cirúrgico, me perguntou se eu iria amamentá-lo. Como assim? Para mim, você tem o bebê, o amamenta e pronto. Embora eu não queira fazer nenhum tipo de julgamento, foi uma surpresa saber que você pode escolher se quer amamentar ou não. A mamadeira, para mim, era um recurso utilizado somente pelas mamães que por alguma razão não conseguiram amamentar os seus bebês.

Eu já sabia da importância do leite materno, em especial do colostro, então nem passou pela minha cabeça não experimentar mais essa novidade da maternidade. Mas toda empolgação, se transformou na primeira frustração, pois o Santiago teve muita dificuldade para pegar o peito. Sem o efeito da anestesia para aplacar as dores da minha cesárea (outro drama) e com o bebê chorando de fome, a situação piorou. Para estimular o Santiago a mamar, as enfermeiras trouxeram uma sondinha de amamentar. Utilizei o aparato por uma semana e foi o suficiente para transformar o meu bebê em um bezerrinho mamão. No início optei pela livre demanda, queria que o Santiago recuperasse o peso que perdeu nos primeiros dias, para aos poucos ir introduzindo uma rotina.

E estabelecer uma rotina em uma casa que ainda estava em reforma, com todas as minhas coisas em caixas de papelão, com noites em claro e um bebê um tanto quanto chorãozinho, é óbvio que só me faltava uma mastite. E como dói!!! Tive vontade de chorar quando a minha médica sugeriu que eu tirasse leite para evitar que ele empedrasse. Quer dizer que além de sentir dor durante as mamadas, eu vou ter que sentir mais um pouquinho? É isso?

Tudo bem, porque a essa altura eu já estava completamente apaixonada por amamentar o meu filhote. Era uma delícia ver a carinha dele de satisfeito depois de cada mamada. Às vezes, ficava até molinho de tanto mamar. E segurá-lo no colo, bem juntinho, era bom demais. Ora segurava a sua mãozinha, ora o pezinho, ou então ía fazendo carinho por cada pedacinho perfeito do meu bebê.

O apoio do maridão foi fundamental. Sem babá, muitas vezes ele assumia o comando para que eu pudesse descansar um pouquinho, e de vez em quando me levava café da manhã na cama. Quanto mimo!!!

Com cinco meses, o Santiago começou a recusar uma das mamas, a direita. Quando olhava para os meus seios eu tinha uma visão semelhante ao do Pão de Açúcar, um peito de cada tamanho. Será que seria possível fazer plástica em uma mama só, para igualar? Mas, na verdade, a maior preocupação era para que ele não parasse de mamar. Continuava estimulando a mama, tirando leite. Mas ele nada. O pediatra sugeriu dar o leite que eu tirava em uma mamadeira. Embora a idéia não me agradasse, me vi sem escolha, afinal ele não estava ganhando peso.

Consegui levar adiante mais um mês, mas o leite foi secando. E o Santiago cada vez mais preferindo a mamadeira. Até que aos seis meses parei de amamentá-lo em definitivo. Fiquei arrasada, mas tive muito apoio da minha cunhada e das minhas amigas que também estavam amamentando. Algumas já estavam complementando com a mamadeira ou pela mesma razão que a minha ou por terem voltado ao trabalho. Confesso que sinto muita saudade daquela época. E, também, dos passeios que eram bem mais práticos, era só eu ir junto que as refeições estavam garantidas.

Não me arrependo um minuto sequer de ter optado por amamentar o meu bebê. Foi uma experiência difícil, porém, de uma cumplicidade que não é possível expressar em palavras. E da minha tentativa em continuar a nutrir o meu filhote com amor surgiu a oportunidade de dividir tudo isso com vocês através do Pequeno.

E para tranquilizar as mamães que ,também, se veêm com um peito bem maior que o outro durante a lactação, eu lhes digo que não foi necessário comprar somente uma prótese de silicone, pois a natureza se encarregou de igualar o meu Pão de Açúcar.

*O Pequeno Gourmet recomenda a consulta de um profissional especializado em caso de dúvida quanto a qualquer informação disponível no Portal

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