Como a introdução alimentar pode ajudar seu filho a mastigar melhor

O momento de apresentar os alimentos para o seu filhote chegou. E agora a questão mais importante é não pular as etapas da introdução alimentar: da papinha, para o amassado, à comida em pedaços até chegar ao sólido. É super importante seguir esse passo a passo das texturas. Porque é através desses estímulos que o filhote vai  se organizar para ter uma respiração sadia, um peso de qualidade, aprender a comer consistências e alimentos diferenciados e não se tornar uma criança ou mesmo um adulto seletivo para comer. E não é só isso, esse momento também pode ajudar e muito no processo da mastigação. Para entender essa relação conversamos com a fonoaudióloga e psicopedagoga, Sheila Leal, no terceiro post da série.

Pequeno Gourmet:  Qual a importância da mastigação na fase da introdução alimentar?

Sheila Leal: A criança nessa fase conhece o mundo através da boca. E é justamente nesse momento que se torna imprescindível a mãe passar da papinha, para o amassado, deixando aos pouquinhos que a comida em pedaços faça parte do dia a dia, até chegar ao sólido. Quando o pequeno tem algum tipo de alimento na boca, ele começa a trabalhar e a estimular de forma eficiente o crescimento de todas as estruturas como o maxilar e o crescimento do palato ogival. O crescimento dos dentes também está ligado a esse tipo de  introdução alimentar e a forma como isso é conduzido pela mamãe, para que todas essas condições gengivais e de nervos possam ser estimuladas. O mais importante é deixar claro que durante essa fase, não se deve pular nenhuma etapa: primeiro o líquido, depois o amassado com garfo, até chegar ao sólido! Para que a criança não crie nenhuma aversão a um tipo de consistência alimentar.

Pequeno Gourmet: Qual é a época certa para começar a introduzir os alimentos sólidos?

Sheila Leal: A partir dos 6 meses a criança não só tem condições de levar os alimentos sólidos para a boca e chupá-los, como esse tipo de alimento irá ajudar em muito no desenvolvimento da fala, da dentição, da formação do paladar e da mastigação! Mas também é importante respeitar a transição do pastoso para o sólido e oferecer todos os tipos de alimentos durante esse período.

Benefícios do alimentos sólidos a partir dos 6 meses

  •   Eles vão fazer com que a criança movimente os músculos da face e promovam uma organização dessa textura alimentar na boca, e isso pode melhorar ou ter avanços significativos na fala
  •   Quando a criança experimenta o alimento, ela precisa manipulá-lo dentro da boca, observar se cabe mais ou se a quantidade que colocou foi muito. Parece que para nós, adultos, isso é muito simples, mas para as crianças não é. Por isso, muitas vezes elas enchem demais a boquinha, pois estão aprendendo a ter essa noção.
  •   Os alimentos sólidos são primordiais para que toda a musculatura da boca seja trabalhada de forma eficiente e o músculo do lábio se feche corretamente
  •   Quando um alimento é muito grande para o tamanho da na boca da criança, os músculos da bochecha e perto do ouvido também trabalham de forma eficiente
  •   Quanto mais alimentos sólidos a criança comer, mais evitamos que ela tenha flacidez muscular. Por isso é sempre bom oferecer alimentos sólidos a partir dos seis meses

Pequeno Gourmet: Quais são os alimentos mais indicados nessa fase?

Sheila Leal:  Sugiro começar com banana amassada, pera, abacate, batata doce, compota de maçã e arroz. Alimentos com uma textura um pouco mais dura, porque nessa fase, a gengiva já está preparada para todo exercício de mastigação e a criança vai aprendendo a lidar com todas essas texturas dentro da boca.

Pequeno Gourmet: O que é melhor priorizar na fase da introdução dos alimentos sólidos, a variedade de alimentos ou a textura deles?

Sheila Leal: É mais importante variar as texturas do que a variedade dos alimentos. Isso porque são as texturas que vão garantir se a criança vai comer de tudo ao longo da vida. Tem mãe, por exemplo, que, achando que vai facilitar a vida do filho, serve o alimento somente triturado ou batido no liquidificador ou passado na peneira até mais ou menos 2 anos. Isso pode a deixar o a introdução alimentar um pouco mais complicada, porque quando a criança for processar uma carne, ou mastigar um frango, algo que exija mais força muscular, ela não vai conseguir fazer todo o processo de mastigação. Por isso o mais importante mesmo é valorizar as texturas.

Pequeno Gourmet: O que fazer quando a criança não consegue mastigar e engole o alimento inteiro?

Sheila Leal: A primeira coisa a se fazer é treinar o processo de mastigação. Comece por oferecer os alimentos em talos, não cortados, nem amassados. Em seguida dirija o alimento para a lateral da boquinha da criança, depois do dentinho canino (aquele pontudinho), para que ela comece o processo de mastigação. Vale lembrar que até 4 anos a deglutição ainda é adaptada, ou seja, a criança amassa o alimento com a língua e engole dessa forma, pois muitas vezes ela não consegue mastigar o alimento (o que pode ser percebido nas fezes). É importante fazer desse momento em que você vai ensinar seu pequeno a mastigar, algo tranquilo, Uma boa dica é colocar brinquedos ao redor, cantar para o seu filho, comer junto com ele, colocar o alimento do lado esquerdo ou direito, e ir sempre contando, cantando para que a criança possa exercitar isso de forma natural.

Pequeno Gourmet: Como estimular a criança a mastigar?

Sheila Leal: Procure ir para a mesa da forma mais relaxada possível, sem estresse. Leve os brinquedos que a criança mais gosta e interaja com eles. Promova algumas atividades, crie histórias, imite bichos e faça sons diferentes. Procure fazer com que a criança mastigue o seu alimento, organize e engula de uma forma segura e sem pressa. Ter pressa no processo de mastigação pode causar muitos prejuízos.

Pequeno Gourmet: Quais músculos da face exercitamos ao mastigar e como a mastigação pode interferir no processo da fala?

Sheila Leal: Quando mastigamos, usamos todos os músculos da face, mas existem alguns que usamos mais. Como os que estão acima e abaixo do lábio superior (orbicular), os que ficam pertinho do osso que temos entre o nariz e a orelha (masseter) e aqueles que se movimentam quando fazemos a boca de peixe (bucinador). Quanto à fala, a mastigação promove um equilíbrio de toda musculatura facial, o que ajuda na articulação. Algumas pessoas que respiram pela boca, por exemplo, têm uma flacidez muscular, o que pode alterar a fala. Por isso, quando tratamos de crianças que apresentam trocas de fala, organizamos a respiração, a deglutição e a mastigação.

Sobre o entrevistado
Nome: Sheila Leal
Profissão: fonoaudióloga e psicopedagoga
Contato:

https://www.facebook.com/seusfilhosbrilhantes/


Sobre:

Com quinze anos de profissão, além de fonoaudióloga e psicopedagoga, a Dra. Sheila Leal é especialista em Dislexia.

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