Vale mesmo a pena pagar mais pelos alimentos orgânicos?

Postado por Equipe Pequeno Gourmet

Imagine essa cena, você serve o papá para o seu filhote e ele se recusa dizendo: “Eca! Isso tá envenenado e cheio de agrotóxico!”. Essa foi a resposta que a fotógrafa Naila Delalana ouviu do seu filho Heitor, que tinha na época 3 anos. Depois disso, ela se apaixonou tanto pelos produtos orgânicos que até abriu um supermercado especializado, a Casa Orgânica, em São Paulo. No segundo episódio da série “Calculando Saúde”, o Pequeno Gourmet conversou com esses papais e com a nutricionista Fernanda Saccoletto para entender se vale mesmo a pena pagar mais caro por esses produtos.

O que os orgânicos têm de diferente?

A gente sempre ouve falar que esse tipo de alimento é livre de agrotóxicos e venenos na hora do plantio, mas não é só isso. Tem outras coisas que também fazem o orgânico ser diferente, como o respeito ao meio ambiente, o sabor (que costuma ser mais intenso), sem falar nos benefícios para a saúde e na qualidade de vida de quem planta e consome esse tipo de papá. Ah, e na cultura do orgânico a sustentabilidade sempre dá as caras: nada é descartado, tudo é reciclado.

Quem anda comprando

Por ano, o mercado de orgânicos cresce 30% no Brasil. E essas pessoas costumam ser de três tipos:

Engajados: preocupados com a qualidade do papá que servem para a família, com o bem que os orgânicos fazem para o meio ambiente e para a sustentabilidade (nem mesmo as embalagens fazem mal para a natureza).

Curiosos: chegam para comprar um tomate orgânico, mas acabam levando vários alimentos. Conhecem esses produtos porque viram na TV, na internet, em documentários ou porque o médico ou a nutricionista indicou e querem saber mesmo se os orgânicos fazem bem.

Cozinheiros: nada melhor do que fazer um cardápio com mais sabor, certo? É o que pensa quem investe nos orgânicos porque sabe que, sem agrotóxico, a couve, por exemplo, pode ser ainda mais gostosa.

Mas por que é mais caro?

O Pequeno Gourmet explica:

Papá na boa safra: o morango orgânico, por exemplo, só vai estar disponível se for realmente a época dele. Quando não se usa agrotóxico, a fruta não dá o ano inteiro. 

Solo bem preparado: para conseguir o certificado de orgânico e garantir que a terra (a ser plantada e nas proximidades) esteja totalmente livre de agrotóxicos, um produtor pode ter que esperar até 5 anos, o que exige um alto investimento. 

Mais tempo para plantar: um produtor orgânico leva, em média, três meses para plantar seu alimento natural, enquanto os outros que usam pesticidas plantam em 20 dias. Isso faz a mão de obra ficar mais cara. 

Pode ser mais barato: alguns orgânicos já têm pouca diferença de preço em relação aos demais produtos. Quem trabalha com esse mercado afirma: quanto mais as pessoas comprarem, mais barato vai ficar!

Razões para investir

Gastar um pouco mais com os orgânicos pode, no final das contas, valer a pena e fazer com que você garanta mais saúde para a sua família. Quer ver por quê?

Não orgânicos podem fazer mal

Quem determina as quantidades de agrotóxicos aceitáveis para o consumo de alimentos é a Anvisa e o Ministério da Agricultura, dentro do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, onde são mensurados os níveis de pesticidas para garantir a segurança alimentar. Quando esse limite ultrapassa o recomendável, os riscos para a saúde podem surgir. Uma série de estudos já publicados falam sobre a relação entre os pesticidas e o desenvolvimento de câncer, por exemplo. 

Higienizar pode não adiantar

Você comprou um produto não orgânico e vai lavar para que os agrotóxicos saiam, certo? Nem tanto. Esses venenos podem ter ação sistêmica ou de contato. Os sistêmicos estão no interior das folhas e das polpas e entram nos vegetais; os de contato ficam na parte externa, mas também podem ser absorvidos. Portanto, quando você lava o legume, a fruta ou a verdura com agrotóxico, pode ser que não consiga eliminar tudo, porque o pesticida se instala dentro deles.

Mais nutrientes e mais sabor

O papá fica muito gostoso e saudável com orgânicos. Por isso vale a pena investir no maior número de alimentos livres de pesticidas para a criançada. Eles são mais naturais, nutritivos e têm mais vitaminas e minerais. 

Na hora de comprar o orgânico

Agora que você já viu que este tipo de produto pode, sim, valer a pena, a gente mostra algumas dicas que ajudam a economizar na hora de encher o carrinho:

Escolha o lugar certo: o ideal é você procurar feiras ou casas que só vendam produtos orgânicos. Esses lugares costumam seguir a filosofia do plantio e não deixam os preços serem abusivos. Em alguns supermercados tradicionais, o preço do orgânico pode ser mais do que o triplo do normal. Pesquise sempre antes de comprar.

Fique atento à validade: os produtos orgânicos costumam durar menos, por isso vale a pena conferir bem a data. Compre só o que vai consumir na semana, para evitar o desperdício e o prejuízo.

Só leve os que tiverem o selo: essa é a garantia do Ministério da Agricultura de que o produto que você está comprando é mesmo orgânico.

Veja mais:

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*O Pequeno Gourmet recomenda a consulta de um profissional especializado em caso de dúvida quanto a qualquer informação disponível no Portal

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